quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Retomada


Estou enferrujada. Mas tentarei...

... deixar os dedos correrem, esquecer o tempo, me libertar de correntes que possam aprisionar meu pensamento. Desafiar a mim mesma e vencer. Esquecer preconceitos, ou ignorá-los. Deixar uma marca. E quem sabe um dia ter forças para revelar pensamentos secretos.

... ser otimista. Descobrir caminhos. Desbravar o desconhecido. E não ter medo. Ter coragem para mudar o rumo. Sair da latência.

... ultrapassar a barreira de apenas existir. Viver. Aproveitar. E lembrar que cada dia pode ser o último. Isso é intensidade. A morte há de ser sempre lembrada, pois senão a vida não faria sentido. É preciso ter consciência da finitude para tornar cada momento eterno e infinito.

... sorrir. Gritar. Amar. Soltar a mente. Ser transparente. Saber que a felicidade está em cada instante, em cada detalhe, em cada amigo, em cada atitude. Nos momentos de sono debaixo da coberta, nas gotas de água da chuva. No anseio pelo mar e na simples recordação de colocar os pés descalços na areia. Ser feliz faz bem.

domingo, 8 de maio de 2005

Esforço


Pensar dói. Sim, pensar doi.

Estamos vivendo a História mastigada. Somos acomodados, nos resignamos às perguntas óbvias e o branco da tela (ou da página) nos enche de pavor. As idéias tendem a se copiar, perpetuando-se a ponto de quase não haver inovação. E a ponto de nem se saber ao certo como inovar.

sábado, 26 de fevereiro de 2005

Pausa


Parem os relógios!
Deixem-me dormir em paz.
Esqueçam das minhas responsabilidades,
dos meus compromissos.
Não neguem meu sono a mim.
Atrasem os ponteiros,
quebrem os despertadores,
transcendam o tempo.
E me deixem descansar!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Fuga


É quando eu começo a me ferir, e a ferir meus dedos cansados de digitar e a deixar meu ouvidos entupidos e a engasgar com um mar de lágrimas. É quando tenho vontade de rasgar o verbo e deformar as roupas e me largar em um sono profundo e esquecer de tudo. É quando quero me sentir livre – ao mesmo tempo em que vejo a prisão em que me encontro. Meus pulsos doem, meu corpo dói, minha mente já não respira. O nó na garganta não passa e palpita uma água salgada do canto dos meus olhos que não sei bem explicar por quê. A noite passou lenta, abafada, rasgante. Meu nariz não desentupiu e meus sonhos não vieram.

:::

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Devaneios...

Ainda estou lúcida. Mesmo em meio a tanta desordem, mesmo sem capacidade de raciocínio, mesmo sem conseguir pensar as palavras. Ainda estou lúcida. E preciso repetir isso infinitas vezes para me certificar de que estou certa, de que ainda tenho capacidade para pensar e ler jornais, de que consigo escrever sem que tenha de fazer um enorme esforço. Ainda estou lúcida. Bem menos do que gostaria, bem aquém do que seria necessário, bem além do suficiente. Mas ainda estou lúcida. Ainda vejo as cores ao meu redor (embora o cinza ganhe cada vez mais espaço), ainda tenho um vislumbre do futuro (apesar de meio embaçado), ainda consigo sonhar (embora quase não tenha tempo para isso). Meu sono anda cansado, meus olhos estão fundos, minha mente está uma desordem. Mas ainda estou lúcida. E assim preciso me manter. Preciso vencer a necessidade de descansar e de ter uma vida mais feliz. Ainda estou lúcida. Mas não sei por quanto tempo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Carrascos de nós mesmos

Com o tempo, a gente percebe que não adianta mais agir como criança e desejar como criança e sorrir como criança.

Com o tempo, a gente se vê só, mesmo no meio da multidão. E esquece as palavras. E esquece as pessoas. E deixa de lado os amigos, porque o trabalho se tornou mais urgente. E deixa de lado a gente mesmo, porque o descanso é mais importante do que o corpo. E deixa de lado os hobbies e as manias, porque dormir é mais importante. E esquece que o sexo é muito bom, porque a cabeça está sempre no dia seguinte.

Com o tempo, a gente deixa de acreditar em frases feitas e esquece que é preciso se esforçar para evoluir. A gente se esquece dos planos e das promessas feitas em cada início de ano. Dos sonhos e das juras de amizade sincera.

E quando menos esperamos, percebemos que estamos grandes, mas pequenos. Seres sem eira nem beira, sós na amplitude de um coração empedrecido.

Com o tempo, a gente se esquece das palavras da mãe e às vezes até mesmo da palavra MÃE. Deixa de lado o amor adormecido do pai.

Aos poucos, a gente percebe tudo isso, mas não há caminho de volta e tentar reconstruir pontes parece um tanto quanto complicado.

Ficamos, então, com as palavras anestesiadas, molengas e enfermas, guardadas no baú de preciosidades medíocres que é a nossa mente. Fica tudo ali, esperando a hora certa para explodir. Uma explosão carregada de culpa, uma espécie de testemunho vão.

Porque, na verdade, a gente já sabe de tudo isso. A gente sabe que a gente é mais importante e que a vida é feita de momentos preciosos. Mas ainda assim seguimos iguais.

Com o tempo, a gente percebe que precisa de espaço e que o conforto dos braços da mãe não é mais suficiente. E daí percebe que tudo o que realmente importa é justamente esse colo e esse carinho incondicional. Mas aí somos "adultos" e precisamos seguir em frente com os planos.

Aos poucos, a gente percebe que a individualidade é mais do que urgente, mas esquece que existem pessoas a quem querer bem. E vai acumulando todos esses déficits em algum lugar, prometendo um dia resolver tudo.

Mas a lista só vai aumentando. E o tempo só vai castigando.

Com o tempo, até o "eu te amo" precisa ser diferente para não ser banal. Ou então precisa ser dito, para arrebentar comportas fechadas há tanto tempo.

Aos poucos, a gente percebe que a vida é muito complicada, mas poderia ser infinitamente simples. Mas aí não sabemos mais como simplificá-la.

terça-feira, 9 de novembro de 2004

Doce inocência


Engraçado como às vezes nos damos conta de que o tempo não parou e de que não somos mais crianças. Mas o mais estranho mesmo é que não percebemos isso gradualmente: apenas crescemos. Passamos por tantas fases especiais – cada uma com suas peculiaridades – e parece que de todas carregamos algo. Não nos sentimos mais velhos: no fundo, parece que somos os mesmos seres que pouco sabem e que acabaram de começar a viver, com todas as inseguranças e curiosidades.

E a maturidade não nos avisa quando chega – se é que chega. Na verdade, é como se ela fosse imposta a nós por uma convenção que existe há séculos. De repente, nos sentimos obrigados a rir quando queremos chorar ou a sentar de pernas cruzadas quando queremos mesmo é ficar bem à vontade.

Vejo que fiquei adulta quando percebo a cobrança pelos modos que não tenho. Percebo a maturidade a cada vez que meu sorriso maroto não surge no rosto, quando não consigo ver com olhos infantis os problemas que surgem cotidianamente, nas horas em que percebo que tenho medo de perder meu emprego, quando vi que já perdi a inocência de que tudo pode ser comprado "com cheque" e quando lembro que minhas ambições vão muito mais além do que um simples "videogaminho". Era assim que costumava falar quando tinha meus menos de 10 anos. Achava que a vida era muito mais simples.

Pegando emprestadas as palavras de Fernando Sabino, queria mesmo era crescer e me tornar criança.

quarta-feira, 16 de junho de 2004

Do chão ao pó


Não somos feitos da imunda matéria cinzenta que inunda as metrópoles, mas aprendemos a conviver bem com ela e com a poeira constante e baixa. Poeira que corta e desgasta, que enche os pulmões de um ar preto, mas imprescindível. Somos animais, sim. No pior sentido da palavra. Pessoas envolvidas em seus próprios mundinhos, esquecendo que também são matéria orgância, em sua tradução mais simples e pútrida. O cinza é hoje o que ontem era belo. É a tradução da capacidade e do intelecto humanos e da solicitude indefesa do meio ambiente. Mas, em nossa ignorância, apenas damos continuidade à tradição iniciada anos antes de existirmos. Somos animais, sim. Mas continuo dizendo que gosto muito mais das criaturas que chamamos cotidianamente de animais do que dos homens.

terça-feira, 8 de junho de 2004

Clássicos republicados

Não! Não sei onde coloquei o livro, onde parei a frase, onde larguei a caneta. Não. Hoje não quero saber nada. Se vai chover ou se vai fazer sol. Se o amanhã já chegou e se o ontem já era. Estou. Sou. E gosto. Isso basta. Ou não?

quarta-feira, 5 de maio de 2004

Herrar é umano

Uma das coisas mais fantásticas a respeito do ser humano é a capacidade de aprender com seus erros. E o básico, antes disso, é ter a coragem de admiti-los, senão para os outros, para si próprios. Identificar os defeitos e classificá-los em prejudiciais ou meros traços de personalidade é fundamental. Tentar melhorar aspectos que possam causar contratempos é essencial e mostra a busca pelo crescimento.

:: Quem não tenta melhorar fica aprisionado no tempo ::

Traçar metas, perder alguns dias ou algumas horas colocando-as no papel também são fatores necessários. Não dá para viver ao sabor da maré. É preciso ter claros os objetivos a alcançar e aceitar que errar é natural.

:: Braços cruzados nunca ajudaram ninguém a construir nada ::

Palavras-chave: autoconfiança, determinação, perspicácia, INICIATIVA.

quarta-feira, 26 de novembro de 2003

(Re)começo

Começo é atravancado, difícil, pequeno.
Começo qualuqer,
Como uma criança engatinhando,
Ou um adulto em uma cidade estranha.
Começo de frase, de livro, de poema.
Começo é complicado.
Exige força, coragem, determinação.
O meio é mais simples.
Basta soltá-lo, deixar correr o barco.
Meio qualquer,
Como a idade adulta, a juventude e a meia idade.
O desenrolar da história.
Pleno, inteiro, mesmo sendo meio.
Complementa o início que já se foi
E o fim que está por vir.
O fim é uma conclusão,
Difícil de ser boa,
Carente de aceitação.
Um bom livro que chega ao final.
É a dúvida do porvir.
É curto, rápido.
Tem apenas três letras
E representa uma mudança imensa.
O fim é a conclusão.
O término do papel,
A falta de espaço na folha,
A morte da gente,
A morte do bicho,
A morte da água, da árvore, da flor.
Mas o fim é semente.
Uma idéia plantada
Para outros livros, outras vidas,
Outras flores.
É matéria para o chão,
É o berço do embrião,
É a volta ao começo

segunda-feira, 10 de novembro de 2003

...

>>
A perfeição beira a irracionalidade.
A ilusão de que algo pode ser perfeito, então, é idiotice.
<<

sexta-feira, 7 de novembro de 2003

De nomes e traduções

Não achei na enciclopédia meu nome. A palavra mais próxima talvez tenha sido Liliáceas . Seria uma família de Lilianes? Ou uma espécie de comportamento que acomete as pessoas? Será que alguém aldum dia sonharia em me dizer: "Ah, hoje você está muito liliácia! Sai prá lá!!!" Na verdade, a expressão nada mais é do que uma família de plantas monocotiledôneas da ordem das lilifloras, constituída por herbáceas cujos caules podem ser bulbos, rizomas, hastes ou trepadeiras. Compreende plantas ornamentais (lírio, tulipa, jacinto, agapanto, ornitogale), alimentares (aspargo, cebola, alho), têxteis (linho-da-nova-zelândia) e medicinais (cólquico), entre outras.

Um exemplo de liliácea:

quinta-feira, 6 de novembro de 2003

Metamorfose

"Queria levantar com calma e sem ser perturbado, vestir-se e, sobretudo, tomar o café da manhã, e só aí pensar no que haveria de fazer, pois, isso ele percebia bem, na cama não chegaria a nenhuma solução razoável com suas reflexões. Recordou-se de ter sentido já em outras oportunidades alguma dorzinha leve, advinda talvez de uma posição desajeitada na cama, que depois, assim que ele se punha de pé, mostrava ser apenas imaginação; e estava curioso para ver como suas ilusões de hoje se dissipariam aos poucos depois que levantasse. Que a mudança na voz era apenas a imposição de um belo resfriado - a doença profissional dos viajantes -, ele tinha a mais absoluta das certezas.

Jogar a coberta para o lado foi bem simples; ele precisou apenas inspirar um pouco e ela caiu sozinha. Mas os passos seguintes se mostraram difíceis, sobretudo proque ele estava incomumente largo. Teria necessitado fazer uso dos braços e das pernas, a fim de se levantar; ao invés delas, no entanto, ele possuía apenas várias perninhas, que se movimentavam sem parar em todas as direções e que ele, além de tudo, não conseguia dominar."
<>

terça-feira, 4 de novembro de 2003

Starry night


Noite sombria, eterna, majestosa. Noite que é escura, que é de lua, que é de furor. Instiga, aquece, excita. Morada de estrelas, cenário do prazer. Noite que é velada, calada, molhada. Noite de chuva, noite de seca. Noite do acaso, noite do meu caso, noite do descaso. Noite do meu dia, meio-dia. Noite da minha tarde, pôr-do-sol. Meio-dia da minha noite, meia-noite. Noite da minha noite, madrugada.

sexta-feira, 31 de outubro de 2003

Dia da caça


Sim, hoje é o dia da caça, o dia em que eu não tenho medo de nada, em que quebrei as barreiras que me cercavam e a redoma de vidro se alargou. Hoje já é o futuro. Já é o dia em que sou MULHER, que amo minha feminilidade e que não sou caça de ninguém. Sim, hoje é o meu dia. Dia de me sentir mais amada, mais decidida. Dia de não esperar, mas de buscar o que quero. Dia de não lamentar. Dia de me sentir em paz até mesmo com minha preguiça. Hoje é dia de acordar bem tarde e de fazer o que eu quero. Hoje é o dia da caça ir atrás do caçador...

Fragmentos...

Fechei os olhos e relembrei tantas palavras já faladas, já escritas... De todas, o eterno tempo, carrasco, impetuoso e estranhamente humano, parece ser a mais constante. "... e o tempo come o meu tempo, se divertindo em um eterno exercício de autofagia..." Esse é meu discurso há tempos - e creio que continuará sendo eternamente. Mas a consciência da minha impotência me deixou mais sábia. Ou mais morna. Decidi me calar frente à certeza de minha ignorância - algo que me devora e incomoda.

Na verdade - e já mudando de assunto, embora ninguém entenda realmente isso -, a impotência e a ignorância me transformaram em uma pessoa mais fria, ao menos aparentemente. A resignação de aceitar uma condição sobre a qual não tenho controle me deixa estagnada. E eu não sei por onde começar a cortar as amarras que me prendem a uma realidade tão diferente e distoante do que sempre planejei.


Palavras de Drummond:

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente."

Sim, já estamos novamente no limiar da chegada de um novo dígito ao milênio. E nem parece que ultrapassamos a barreira dos três zeros. Talvez eu pareça hoje um tanto quanto rebuscada, embriagada em meio a frases que há muito querem ser colocadas ao relento. Mas, como já diz o ditado, meias palavras são suficientes ao bom entendedor. Ou deveriam ser.

Já de olhos abertos, retorno à segurança do meu quarto, cercado por quatro paredes brancas e frias que nem sequer relembram como é acordar sob o sol quente. Preciso reaprender a sentir e a sonhar. Preciso da taquicardia do amor. Quero um banho frio, que me desperte da latência invariável que marca o inverno. Estou no meu inverno. Quebrem os relógios, fechem as cortinas, esqueçam do amanhã. E me deixem dormir em paz.

O pássaro e a asa quebrada

Minha poesia já não é mais a mesma. Meus dedos, ágeis e vorazes, já não lembram a doçura da criança. Minhas mãos já não denotam ingenuidade. São firmes, tenazes, determinadas. Quase tanto quanto gostaria que fossem. Já não tremem mais, já não se escondem ou se enervam. Sabem o que querem.

Minha poesia se perdeu nos anos que a maturidade trouxe. Minhas palavras já não expressam mais a insegurança ou o eterno universo enfadonho de adolescente. Reclamações e desesperanças me irritam. Quero mais do que simplesmente ser um ser ao relento, desenganado com a solidão ou então inerte e à mercê das desilusões. Sou - ao menos tento ser - forte. Sou - ao mesmo tempo - frágil. Um eterno paradoxo, como linhas paralelas que nunca se cruzam mas fazem parte de um mesmo traçado. Sou, como costumo dizer, o exemplo perfeito de um ser humano, com contradições encerradas em mim mesmo ao mesmo tempo em que a coesão me torna adulta. Meu lado criança não é tolo. Meu lado criança é apenas brincalhão, longe das ingenuidades ou da inocência que muitos guardam. Bom? Ruim? Perguntas nem sempre encerram respostas satisfatórias. Ou nem mesmo têm verdadeiras soluções. Tal como as demais coisas do universo, eu sou. Apenas sou. E mais do que qualquer coisa, esse apenas significa muito. Significa que tenho vida, que tenho amor, que tenho medo, que tenho tudo. Que tenho nada, que tenho sorte, que tenho alma, que tenho vida.

Vou vivê-la.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2003

Sem comentários...

A consciência da minha ignorância me devora por dentro. Porque sei que tenho muito o que aprender e que poderia ser muito mais do que sou hoje.